Louco faz loucura

11/02/2015

Juntar uma plateia somente com gatos e dar um curso sobre COMO LATIR EM 3 LIÇÕES ou LIDERANÇA PARA LATIR realmente não adianta. Esta bobagem é feita e repetida com intensidade sobrenatural por centenas de empresas. Trabalhar garimpando gente melhor (estes, sim, devem ser treinados) e eliminar os mais fracos é a única tarefa de RH e dos gerentes. Não resolve ficar espantado quando um louco fizer loucuras ou quando um gato miar. Se você quiser latidos, contrate cachorros.



O diretor de Operações de uma empresa de varejo reclamou que um gerente de loja ligou para ele às 4 da manhã para saber o que fazer com a falta de energia. Como o fato sempre se repete, o diretor ficou irado com o gerente (“por que não cumpriu o padrão, como ele não sabia o que fazer, por que ligou às 4 da manhã me assustando”) e disse: “Mubarack, este cara é louco!”. Eu respondi: “Escute, há 6 meses fiz uma auditoria junto com você nesta loja e identificamos exatamente isto. Você lembra? Vitrine desarrumada, chão imundo, vendedores desatentos, banner caindo na entrada da loja, atitudes estranhas do gerente...Você mesmo me contou que o cara era doido, fazia umas rezas diferentes em reuniões de resultados(risos), você mesmo me disse que o tal gerente era louco. Qual é a surpresa? O que você pode esperar de um louco? Que ele faça loucuras. Um gato mia, um cachorro late, um ladrão rouba, um mentiroso mente e um louco faz loucura!”.

Brincadeiras à parte, muitas empresas erram exatamente neste ponto: conhecem seus funcionários, sabem seus defeitos e surpreendem-se com seus erros, as famosas “tragédias anunciadas”. Diretores e empresários esperam milagres e não entendem a simplicidade deste conceito: é da natureza do louco fazer loucuras. Pode ser que durante um breve período o comportamento possa parecer diferente, mas é irrelevante a mudança. O certo é que o louco vai fazer loucuras quando menos se espera. A lição: demita o louco imediatamente. Trabalhar as pessoas sem fazer concessões, testar gente jovem e gerir intensamente os recursos humanos. Embora todos falem e repitam que “gente é fundamental”, raras empresas preocupam-se realmente com as pessoas. O foco NÃO É GENTE.  Gestores e analistas de RH permanecem muito tempo com a bunda na cadeira e não vão a campo. Gerentes são tolerantes demais. Falta criatividade e atitude para garimpar gente no mercado.

Com loucos, só virão loucuras. Minha profecia sempre bate em 100 % de acertos.

RH e a própria diretoria contratam cursos e mais cursos de liderança e mantém loucos na empresa. Tente ensinar um gato a latir e você entenderá como estes treinamentos são inócuos.