Não espere demais das pessoas

09/06/2008

Uma empresa não pode esperar DEMAIS das pessoas. Isto significa, na prática, que o sistema integrado de gestão deve atuar e proteger os interesses de uma empresa quando o ser humano fracassar

Pessoas têm limites? Uma resposta politicamente correta afirma que “não há limites e que uma pessoa tudo pode desde que queira”. As paraolimpíadas provam, de certa maneira, que realmente não há limites para a determinação humana. Porém, atletas paraolímpicos e pessoas com têmpera de aço são raros. Para que seres humanos comuns superem seus limites, eles necessitam de um tipo de treinamento que é invulgar nas organizações. Portanto, uma empresa não pode esperar DEMAIS das pessoas. Isto significa, na prática, que o sistema integrado de gestão deve atuar e proteger os interesses de uma empresa quando o ser humano fracassar. O procedimento escrito, o plano de ação, o processo mapeado, o treinamento constante, as reuniões de análise crítica que analisam performance através de indicadores, o tratamento formal de falhas e a auditoria interna são instrumentos de proteção das companhias contra a falha humana.

O ESTADO NATURAL DAS COISAS NO UNIVERSO É O CAOS. Somente prejuízos, perdas e atritos vêm naturalmente para as empresas. Lucros e vitórias apenas aparecem quando a organização e o trabalho incessante atuam. Pessoas são frágeis e podem cometer falhas enormes a qualquer momento. Um bom executivo não pode organizar sua rotina fundamentando-a, em demasia, apenas no desempenho das pessoas. Estabelecer o nível de controle adequado é obrigação do gestor. Quando algo errado acontece, o gestor não pode alegar para os acionistas que “FOI FALHA HUMANA”. Quando gestores atribuem erros grosseiros à falhas humanas, eles admitem que PERDERAM O CONTROLE. Nenhum acionista paga um executivo para ouvir dele que um acidente ou a perda de um cliente ocorreu por “falha humana”.

O sistema de gestão deve reduzir dramaticamente a probabilidade do erro humano prejudicar a operação da empresa. Faz parte da remuneração paga ao gestor a implantação de controles que diminuam a dependência das pessoas.

Quem imaginaria, por exemplo, que um cidadão que mora há mais de 15 anos nas melhores cidades da Europa e que possui um patrimônio estimado em mais de 250 milhões de dólares fosse ingenuamente envolver-se em uma ridícula confusão com três travestis?

Um gestor não é pago para ser ingênuo nem displicente com os controles da sua área. Esperar demais das pessoas é o passaporte para a falha.