O Brasil Novo X O Brasil Velho

Há uma semana atrás estava assistindo a um programa esportivo do Canal 39 da Net – Sport TV.
Quatro jornalistas entrevistavam José Roberto Guimarães, técnico da seleção brasileira de voleibol feminino.
José Roberto não foi perguntado sobre a recente conquista de um torneio mundial. Foi, isto sim, crivado de perguntas sobre porque xingara de “forma tão dura” a “musa” Jaqueline em pleno jogo.
Jaqueline chorou copiosamente após ser repreendida no intervalo e diante de todos por José Roberto Guimarães. E esta cena emocionou os quatro jornalistas.
“Por que você a xingou em público?”
“Não dava prá pegar mais leve com ela?”
“Você não ficou com pena de uma mulher chorando na frente de todos?”
“Você costuma ser grosseiro com as suas atletas?”
“Ela vai voltar à seleção?”
“Você pode prescindir de um talento como ela?”
“Você depende de alguma atleta?”
“Há alguém insubstituível na sua seleção?”

O tom da entrevista era cordial, os jornalistas eram bem educados, mas a reprovação com a atitude do técnico era clara.

José Roberto explicou porque repreendeu Jaqueline. Durante o jogo, a atleta não aceitara uma orientação sua e respondera para ele de forma descortês.
“Não aceito que nenhum atleta responda para mim durante a partida. O jogo é uma batalha e, se no meio da batalha, os soldados começarem a questionar o chefe, a guerra está perdida. O inimigo está do outro lado da quadra. Após os jogos, eu e as atletas assistimos juntos ao vídeo das partidas e neste momento podemos comentar o que quisermos. Mas na hora do jogo, não. Não sei se a Jaqueline volta para a seleção. Mas se voltar e tomar novamente esta atitude, pega o primeiro avião para o Brasil.
Joguei voleibol durante 21 anos e sabe quantas vezes respondi para meus técnicos durante um jogo? Nenhuma vez. Cada atleta tem suas manias. Mas eu e a comissão técnica colocamos certos procedimentos e limites, porque senão perdemos o controle”.

Os jornalistas perguntaram se existiria a necessidade de uma quantidade tão grande de horas de treinamento e de preparo físico.
O técnico respondeu que “se quisermos ouro, devemos treinar e nos preparar mais do que os outros. Sempre há um maluco que treina mais do que você. Nossa exigência é realmente muito alta, mas nossa missão é o ouro e este é o preço que temos de pagar”.

Fantástico, gente! Que oportunidade incrível de assistir ao Brasil Novo (José Roberto Guimarães) e ao Brasil Velho (os quatro jornalistas) conversando frente à frente, não é mesmo?
O voleibol brasileiro é o Brasil que dá certo. É o melhor do mundo e conta com dirigentes como o José Roberto Guimarães e como o Bernardinho. É ouro e não aceita muito menos do que isto! É disciplinado, intolerante com relaxamentos, treina muito e sabe os sacrifícios que o sucesso exige.
Os quatro jornalistas representaram o Brasil Velho, o velho e conhecido Brasil!!! Queremos lucro, mas não queremos pagar o preço do lucro. E o preço do lucro passa por muitos sacrifícios pessoais e profissionais. Passa por disciplina, por muito estudo, por paciência, por repetição e treinamento, passa por sangue, suor e lágrimas! O Brasil velho é o Brasil da tolerância com a indisciplina, é o Brasil do jeitinho que nunca dá certo!!!

Convido a todos que lerem este texto a refletir sobre como está a proporção do Brasil Novo e do Brasil Velho dentro de suas empresas. A nossa felicidade e a dos nosso filhos está no Brasil Novo. O Brasil Velho precisa ser extinto, mesmo que as jaquelines precisem chorar mais um pouco!!!

Um abraço cordial para todos.