O colorido dos manuais de treinamento

13/02/2012

Manuais de treinamento são padrões fundamentais para qualquer organização, pois ensinam a forma lógica que a empresa deseja que seja seguida no momento das decisões. Todos podem pensar de forma diferente, desde que sigam a mesma linha de raciocínio. Estudo de casos e organização de material de treinamento na forma de padrão é o essencial.

A padronização pode ser vista como uma tarefa chata e burocrática. Entretanto, pode ser transformada em uma ação colorida e muito eficaz para qualquer empresa. Pensemos, por exemplo, nos manuais de treinamento. O que são manuais de treinamento? São padrões, antes de qualquer outra definição. Poucos gestores os entendem assim e raríssimas empresas os possuem. Treinamentos normalmente são ministrados com materiais preparados pontualmente, sem nenhuma visão sistêmica, sem nenhuma ideia de repetição. O material de treinamento precisa ser padronizado para que todos recebam a mesma mensagem. Não ter o treinamento encarado como um padrão é equivalente a uma equipe de futebol não receber preparação física homogênea. Um jogador recebe um tipo de preparo, outro recebe outro, um terceiro não recebe nenhum. Seria o caos, obviamente. Em uma empresa, este absurdo, que salta aos olhos no esporte, acontece com freqüência. Os materiais de treinamento (slides em Power Point, peças físicas, desenhos, books técnicos, tabelas de fornecedores etc.) devem ser agrupados em uma pasta e transformados em um padrão da organização.

Nos manuais de treinamento, devem ser garantidos glossários, lista de abreviaturas, definições, conceitos, regras detalhadas das tarefas de um determinado processo, cópias de todos os documentos utilizados nas tarefas (desenhos, formulários, leis, planilhas etc.) e, principalmente, ESTUDO DE CASOS. Como treinar o raciocínio de uma pessoa? Como explicar para alguém como pensa a empresa? Qual é o padrão para o raciocínio que a empresa deseja que seus profissionais sigam? Existe isto ou é uma utopia? Ensinar profissionais a pensar e a decidir conforme uma linha padrão de pensamento e de lógica, eis a meta. Não é tarefa fácil, mas necessária. Certa vez, em um treinamento na UFMG, um participante que acabara de me conhecer (ele trabalhava na Vale e eu no Gerdau), disse-me: “vocês do Gerdau parece que agem e pensam da mesma forma! É fácil reconhecer vocês em qualquer ambiente, mesmo sem crachá!”.

Fiquei feliz pelo reconhecimento, pois ele atestava que estávamos no caminho certo em nosso treinamento e na determinação de padronizá-lo. Os estudos de casos são fundamentais nesta padronização, porque mostram como, em situações reais, nossos profissionais devem decidir e se comportar. Harvard é Harvard por seu imenso banco de dados de cases. A homogeneização do pensamento permite a diversidade e o debate feroz no campo das idéias quando a tarefa é discutir a melhor forma de fazer as coisas, mas evita a indisciplina intelectual na hora de executar. No momento do planejamento, podemos divergir e debater a melhor maneira, mas na hora da execução, precisamos de absoluta disciplina.

Paulo Ricardo Mubarack