O conselho do tinga

Por estes dias, ouvi o então atleta do Internacional, Tinga, fazer um comentário muito interessante. Disse o Tinga que, quando nos treinos ou nos jogos, batia “aquela preguiça, aquela moleza”, a vontade de não dividir uma bola mais difícil, de não dar “aquele pique”, ele lembrava dos tempos de pobreza na sua infância na Vila Restinga, um bairro pobre de Porto Alegre, com todas as dificuldades, e então corria o dobro, que nem um doido.

Fiquei pensando nas empresas que conheço. Muitos trabalhos não são concluídos no prazo por preguiça. Muita gente não quer trabalhar depois do horário ou nos finais-de-semana. Alguns não querem dar “aquele pique a mais” para concluir o planejamento ou o orçamento para o próximo ano, por exemplo.

Vejo empresas e pessoas com o mau humor característico decorrente da falta de dinheiro. Muitos me perguntam: “...o que fazer, Mubarack?”. Minha resposta é uma só: trabalhar mais!!! Se 9 horas por dia não são suficientes, trabalhe 12 ou 15, sei lá! Mas trabalhe, busque alternativas, estude, arrume-se com todas as ferramentas que puder. Este conselho eu dou para um servente ou para um empresário, não importa!!! Um amigo me disse: “..não é um conselho cruel, Mubarack? Algumas pessoas não tem mais de onde tirar forças!!!”. E eu respondi: “...então, arranje um conselho melhor!!!

Gente, trabalho é a única saída. Uns precisam mais, outros menos. Mas trabalho é a saída. Se você precisa mais do que os outros, trabalhe mais do que os outros. Se sua empresa está em dificuldades, “more” lá dentro. Reclamar do mundo e da vida decididamente não adianta. Um diretor disse-me que seu negócio era muito complicado, o cliente demorava para pagar, a corrupção do setor o atrapalhava etc. E que eu deveria entender isto. E eu disse que estava claro que eu entendia, mas estava claro também que somente malucos ou masoquistas permanecem em negócios tão ruins!!! Trabalhe bastante para desenvolver outros produtos, trabalhe bastante para migrar para outros setores, esta é a solução. Ele ficou decepcionado comigo. O que ele queria era “um ombro amigo para chorar sua derrota” e não um conselho lógico que o tirasse da zona de conforto.

Tenho lido muitos livros. Minha meta é de 50 a 60 livros por ano. Mais ou menos 50 páginas por dia. Sabem qual é a novidade? Quase tudo está escrito. Basta ler e aplicar. Ganhar dinheiro tem seu preço!!! Precisamos ler, fazer muitas reuniões, perder horas de sono, enfrentar a angústia de situações incertas, demitir pessoas de quem gostamos, analisar números, ter disciplina de ferro.

Ontem, eu afirmei em uma palestra: “quem fala demais em qualidade de vida, quem fala demais em estar com a família e quem não vem trabalhar porque está gripado, é vadio!!!”. Alguns riram lembrando de determinados colegas, outros não gostaram. Mas, tirando todas as frescuras ao redor dos assuntos, o que sobra é isto!!! Quando tiramos todos os penduricalhos da gestão, sobra esta realidade. Trabalho, muito suor, sangue e lágrimas. Seria ótimo se fosse mais suave a realidade, mas não é!!!

Muitos empresários que me contratam me perguntam o que posso prometer. Eu lhes digo que prometo o que há de melhor do mundo em gestão com muito sangue, suor e lágrimas. Mas com lucro no final. 3 empresas em 2005 e 2006 praticaram o que ensino com profundidade. Todas vão fechar 2006 com lucros que não tinham há mais de 10 anos.

Por isto, o comentário do Tinga me agradou tanto. Temos que fugir da pobreza como doidos. Temos que odiar a pobreza!!! A pobreza mata e infelicita. Ser uma empresa pobre, devedora dos bancos, sem capital para crescer, é muito, muito feio!!! A sociedade e os seus filhos não esperam isto de você! Este artigo é uma homenagem para todos aqueles que, como o Tinga, correm como malucos atrás do lucro. E é uma ameaça para os vadios. Sem dó nem qualquer tipo de piedade, recomendo a demissão deles em todas as empresas onde trabalho.

Um abraço a todos e bom trabalho!!!