O simples

20/03/2013

Simplificar tudo é algo muito falado nas empresas e pouco praticado. Administrar também é eliminar excessos e eu encontro muitos excessos na rotina das empresas. Contratam-se analistas de RH e demitem-se vendedores. Compram-se softwares caríssimos para controle “não sei do que” e eliminam-se spair parts do estoque da fábrica para reduzir o custo de manutenção. Atitudes insanas tomadas no dia a dia por gestores bacanas como pessoas, mas despreparados como profissionais. Eliminar, simplificar e delegar tudo, eis a regra (SIMPLES) para fortalecer o caixa.

Muitos me perguntam o que significa o porco-espinho no logo da minha empresa. Significa SIMPLICIDADE. Há uma velha parábola grega que aprendi em um curso na Harvard sobre como a simplicidade do porco-espinho faz deste animalzinho um vencedor habitual nas contendas com as raposas que desejam comê-lo. O porco-espinho sempre vence porque ele simplifica tudo e só faz o essencial para sua sobrevivência. Ele não gasta tempo com bobagens, com excessos, com ações que não servem para nada.

Nas empresas, e quanto maior a empresa pior, muito tempo e dinheiro são gastos com ações “maravilhosas” que nada adicionam nos resultados. Algumas áreas, como RH, Marketing e TI, lideram o ranking dos criadores de ferramentas e projetos que nada acrescentam. Michelangelo dizia que esculpia suas obras apenas retirando os excessos. Administrar é também retirar excessos. Você que está lendo (e talvez esteja revoltado, principalmente se pertence às áreas citadas) pense um pouco melhor: você não tem qualquer excesso na sua área? Se a resposta for “não”, eu modestamente peço licença para duvidar. E a pergunta é: por que você mantém os excessos? Por que você não simplifica?

As empresas mais “complicadoras” das suas próprias vidas são aquelas que faturam entre 300 milhões e quatro bilhões de reais. São aquelas que eu classifico como empresas médias. As pequenas não complicam em demasia porque não têm dinheiro. As grandonas tendem a simplificar porque não aguentam mais a complexidade própria dos grandes. As médias tomam normalmente um caminho contrário. Finalmente têm dinheiro “sobrando” e partem para contratação de ferramentas caras e complicadas para bônus, para curva de salários, para cálculo de custos, para treinamento de líderes, para propaganda, para controle de TI etc., que trazem resultados muito pobres. É razoavelmente comum encontrar áreas de apoio que gastam muito com resultados duvidosos enquanto que as áreas que lidam diretamente com dinheiro, como vendas, compras, logística e produção estão à míngua. Demitem-se vendedores para contratar analistas de RH! Algo similar a um clube de futebol onde se eliminam jogadores para contratar contadores.

O que fazer? Elimine tudo o que puder e simplifique o resto. Implante padrões e auditoria e delegue o máximo possível. Tire velhotes complicados e empregue jovens simples e descomplicados.

Paulo Ricardo Mubarack