Os 7 pecados mortais

Há poucos dias atrás, ao conversar com um cliente, abordamos o assunto “Os maus hábitos das pessoas nas empresas”, independentemente do nível hierárquico. Esta conversa me fez refletir mais tarde e me inspirou a escrever este texto. Ao invés de “hábitos”, resolvi chamar de “OS SETE PECADOS MORTAIS”. Certamente, há alguns outros além destes sete. Mas muitos destes outros derivam dos sete primeiros. Penso que esta lista é um bom começo para avaliação do desempenho de uma pessoa, além, evidentemente, da capacidade de obter resultados.
Todos os pecados a seguir são “MUITO FEIOS”. Ainda mais quando sendo praticados por executivos (gerentes, diretores e acionistas). Veja a lista:

1. NÃO ESTUDAR.

Pecado muito comum entre nós, brasileiros, oriundos de um sistema escolar de baixíssimo nível. Executivos não estudiosos estão completamente fora do mundo moderno porque não conseguem compreender relações de causa e efeito, não conseguem descrever um processo, não conseguem escrever um procedimento, não conseguem falar inglês etc.

2. MANIPULAR DADOS.

Canso de encontrar executivos que retiram despesas de um centro de custo e colocam no outro de forma inadequada, passam despesas de um mês para o outro, antecipam receitas virtuais etc. Modificam resultados e enganam a seus superiores e/ou clientes.

3. JUSTIFICAR ERROS.

Raras vezes encontrei executivos que me disseram: “...Mubarack, a culpa deste erro foi minha”. Invariavelmente, a culpa é dos outros colegas, do cliente, do fornecedor, da vida.
Este pecado garante a repetição do erro.

4. NÃO TER INFORMAÇÕES SOBRE SEU PRÓPRIO NEGÓCIO.

Não estar 24 h no negócio. Não compreender tendências sobre seu negócio. Procurar informações onde 1 bilhão de pessoas também procuram, ou seja, ter as mesmas informações que todo mundo tem, ou seja, ter informação que não vale muita coisa...Convença-se de que ler a EXAME ou a VOCÊ S.A. ou a GAZETA é o BASICÃO. Muitas vezes pergunto para executivos qual é, organizadamente, sua rede de informações, ou seja, seu sistema de inteligência. Muitos não entendem nem a pergunta!!!

5. MENTIR OU TOLERAR A MENTIRA.

Caro leitor, você não imagina quantas vezes encontrei gente mentindo nas empresas. E quantas vezes vi superiores hierárquicos que consideram este procedimento tão normal quanto o caixa dois que o presidente do Brasil também considera normal.
O que posso comentar quanto a este pecado? Alguém precisa de algum comentário sobre a mentira? Todos sabem o que fazer diante da mentira. Faça com quem mente o que tem que ser feito: elimine o mentiroso ou o conivente. Só isto!!!

6. SER PREGUIÇOSO.

Muitos executivos têm boas idéias e intenções ainda melhores. Desejam somente coisas muito boas para sua empresa e para si mesmos. São honestos. Mas são preguiçosos. Andam devagar dentro da empresa (gente boa caminha rápido – não anda arrastando os pés). Trabalham somente as horas combinadas. Adoram um feriadinho. Repare como eles falam de suas famílias. Afirmam que “minha família sempre está em primeiro lugar”. Detestam viajar. Recusam-se a fazer cursos fora do horário de expediente. Nunca trabalham um final de semana sequer. O celular depois das 18 h está desligado. Não retornam ligações e emails. Trabalhar em casa nem pensar. Adoram “qualidade de vida”. Falam em aposentadoria com prazer. Adoram um bate-papo e um cafezinho toda a hora.
Lembrou alguém da sua empresa? Não é mera coincidência, acredite.

7. SER TOLERANTE COM OS PEQUENOS DESLIZES.

O que quebra uma empresa raramente é um grande erro. O que quebra uma empresa é normalmente um somatório de pequenos deslizes. Pequenos erros somam-se como vetores, alinhados na mesma direção. A resultante é um prejuízo crescente e enorme. E o pior: executivos não conseguem encontrar a causa, perdidos no meio de pequenos erros. Nenhum deles, isoladamente, justifica o prejuízo. Mas o somatório e a reação em cadeia são fatais. Ao serem covardes e tolerarem pequenos deslizes, executivos abrem as portas para os erros maiores e mais fatais. A cultura (isto é, os hábitos) vão piorando lentamente e ninguém percebe.
O crime no Brasil não se instalou quando um número imenso de criminosos resolveu ao mesmo tempo instalar-se em morros e favelas. Você sabe que não foi assim, um evento grande e que chamou a atenção de todos. Ao contrário, foi um sem número de pequenos crimes que, ao não serrem punidos, foram piorando até um nível hoje insuportável em algumas cidades brasileiras.
Certa vez vi um operador ser demitido porque chutou o capacete da empresa que lhe caiu da cabeça. Na hora, fiquei chocado. Hoje, compreendo a demissão e a aplaudo. Se não fosse punido, amanhã o chute seria na máquina, depois no cliente etc. Não é assim? Você sabe que é.

Um abraço fraterno a todos e boas vendas!!!