Proximidade

08/08/2013

Um dos erros mais grosseiros cometidos por executivos e gestores nas suas atuações como líderes é a falta de proximidade dos seus funcionários, clientes e superiores hierárquicos. Para nada servem centenas de horas de treinamento em liderança se não houver método e energia para garantir a proximidade. Quem não está muito próximo de alguém, abandona. E quem abandona, perde inapelavelmente o jogo.

Após 30 anos de trabalho com mais de 150 empresas e centenas de executivos, resumo tudo o que aprendi em termos de liderança com uma palavra: PROXIMIDADE.

O líder precisa estar próximo, muito próximo, de todos os públicos do seu ecossistema: funcionários da sua equipe, superiores hierárquicos e clientes. Isto é INDELEGÁVEL. O contato com fornecedores, comunidade, sindicatos, governo e outros públicos pode até ser delegado, mas proximidade com a equipe, com os chefes e com os clientes (internos ou externos) é INEGOCIÁVEL.

Estudei as características de grandes líderes, alguns muito conhecidos e vários desconhecidos para o grande público, mas muito atuantes e bem sucedidos em suas empresas, nos vários níveis da gestão e todos têm pelo menos esta característica em comum: a proximidade com a equipe, clientes e seus chefes.

A proximidade, entretanto, não depende apenas de boa vontade e precisa ser executada de forma organizada, isto é, necessita de padrões e de agenda. Por exemplo, um gerente de vendas pode ter a rotina de ligar todas as semanas para todos os representantes de sua companhia cobrando vendas (volume, preço) e mix. O diretor industrial pode fazer todas as manhãs uma pequena reunião com os gerentes para rever as prioridades do dia e a diretoria pode fazer uma reunião semanal de programação integrada de uma planta. Todas as reuniões têm agenda e pauta definidas e ações acompanhadas após cada encontro.

Avaliação de desempenho FREQUENTE (e não uma vez ao ano), jantares mensais para comunicação e discussão dos resultados, DDS (Diálogos De Segurança) matinais e auditorias mensais do chefe (e não apenas de terceiros) são outros bons exemplos do culto à proximidade.

Existe também, e não é menos importante, a proximidade informal. O chefe telefona para alguém da equipe entre 4 a 5 vezes por semana após o expediente (à noite ou em um sábado, por exemplo) para comentar um insight que teve naquele momento ou para cumprimentar o funcionário por algo bem feito durante o dia.

Para praticar a proximidade, um gestor não precisa ser eloquente, bem articulado, orador nato ou ter carisma. Basta ter vontade de gerenciar e método. Energia e método, esta é a combinação ideal.

Em relação aos clientes, quantas vendas não seriam perdidas, quantos clientes não se deixaria ir embora da empresa, se houvesse simplesmente proximidade. Visitas, telefonemas, emails não apenas para congratulações ou conversa vazia, mas para pedir avaliação e ir ao encontro dos problemas e das reclamações, com o único objetivo de solucioná-los e ajudar o cliente.

Em relação aos chefes, conheço vários profissionais extremamente competentes e que entregam, mas que pouco são vistos e promovidos porque eles estão distantes em demasia dos seus gestores. Não conversam o suficiente com eles e quebram qualquer continuidade na comunicação.

E atenção: proximidade requer frequência alta. Vários e pequenos contatos são mais eficazes do que reuniões muito espaçadas e extensas.

Parece simples, parece óbvio, mas a falta de proximidade é uma das primeiras causas (senão a primeira) no ranking das falhas grosseiras e graves de gestão.

Paulo Ricardo Mubarack