Que saudades dela!

19/01/2009

Quando pessoas talentosas chegam, mudam o lugar onde trabalham. Melhoram resultados e procedimentos. Tudo fica mais fácil, tudo flui, tudo passa a funcionar mais adequadamente. Assim como chegam, muitas vezes vão embora. E o que ficou após suas passagens? Nada, apenas a frase: “...que saudades dela!”. Apenas saudades das pessoas talentosas e histórias para serem narradas, contando “...como era bom no tempo dela!”.

Este artigo é dedicado à minha amada filha, Victória Mubarack, desde 16 de janeiro de 2009 a mais nova universitária de Engenharia da Produção da UFRGS. Após concluir o ensino médio em dezembro de 2008, Victória foi aprovada no primeiro vestibular prá valer que fez e onde ela queria estudar: na Universidade Federal do RS. Eu, sua mãe e toda nossa família estamos muito orgulhosos de você.

Observo muitas pessoas realmente talentosas nas empresas. Pessoas com habilidades, conhecimento, experiência, treinamento e atitudes muito diferenciadas. Na maior parte dos casos, pessoas que não adquiriram estes atributos na empresa onde estão, mas desenvolveram determinadas qualidades em outras organizações ou que, simplesmente, nasceram prontas.

Quando estas pessoas chegam, mudam o lugar onde trabalham. Melhoram resultados e procedimentos. Tudo fica mais fácil, tudo flui, tudo passa a funcionar mais adequadamente.

Assim como chegam, muitas vezes vão embora. E o que ficou após suas passagens? Nada, apenas a frase: “...que saudades dela!”. Apenas saudades das pessoas talentosas e histórias para serem narradas, contando “...como era bom no tempo dela!”.

Muitas empresas não conseguem aprender. Não conseguem incorporar à sua cultura atributos especiais que vieram prontos em alguns de seus profissionais. Regridem quando estes profissionais vão embora. A rotatividade de talentos é grande, especialmente em empresas de pequeno e médio portes (empresas com faturamento anual até 1 bilhão de reais). Empresas precisam aprender a aprender. Não é uma tragédia perder um talento quando a organização soube aprender com ele e tornou-se melhor com sua passagem. Tragédia é quando a empresa retrocede quando perde um talento. Não aprendeu coisa alguma com ele. Apenas usufruiu de seu trabalho, mas não aprendeu com ele. Muitas organizações murcham quando seu fundador morre ou quando um executivo vai embora porque não aprenderam a aprender.

Não saber aprender é um erro lamentável e grosseiro e que custa muito caro para uma empresa. Como evitá-lo? O gestor de RH é o principal responsável. Ele deve identificar as pessoas mais talentosas da empresa, deve observá-las com extremo nível de detalhe, deve listar os atributos especiais que estas pessoas têm e elaborar um plano de ação para impregnar a cultura de sua organização com estes atributos. Alterar procedimentos escritos, redefinir processos e, principalmente, alterar os perfis de cargo que servem para selecionar os futuros profissionais, eis a missão do RH. Evidentemente, executará este plano em parceria com vários gestores da empresa e com a direção. E será apoiado decisivamente pelo presidente.

Talvez 90 % dos profissionais existentes hoje no mercado nem tenham condições de entender o que estou escrevendo. Desenvolvimento, qualidade e lucros permanentes são feitos para uma seleta minoria. Para empresas que não sabem aprender, o castigo é a derrota. Aprender é a confirmação da vida. Sentir saudades das pessoas talentosas e apenas lembrar dos “bons tempos” é a confirmação da morte.


Paulo Ricardo Mubarack

051 81 82 71 12

[email protected]

www.mubarack.com.br

Este artigo é dedicado à minha amada filha, Victória Mubarack, desde 16 de janeiro de 2009 a mais nova universitária de Engenharia da Produção da UFRGS. Após concluir o ensino médio em dezembro de 2008, Victória foi aprovada no primeiro vestibular prá valer que fez e onde ela queria estudar: na Universidade Federal do RS. Eu, sua mãe e toda nossa família estamos muito orgulhosos de você.