Queixo de vidro

18/02/2013

Queixo de vidro identifica um profissional que tem os nervos à flor da pele, é muito sensível às críticas e não sabe levar uma bordoada. Apequena-se quando apanha ou reage de forma intempestiva, apresentando um comportamento desequilibrado e que não o recomenda para nada importante em qualquer empresa. Seus colegas e superiores simplesmente desistem de criticar ou de investir tempo em um perfil tão “delicado” e suscetível a críticas.

Chama-se de QUEIXO DE VIDRO o profissional que não aguenta uma crítica e que “desaparece” de uma reunião após uma paulada. Críticas ou “pauladas”, mesmo sendo desagradáveis, normalmente contêm uma boa dose de verdade que muitos não querem enxergar sobre si próprios. Qualquer soco estilhaça o queixo de vidro, transformando-o em um profissional de convivência difícil: você não pode criticá-lo, mesmo que de forma construtiva e respeitosa, porque logo vem o melindre, uma agressão ou o emburramento. Mulheres queixo de vidro correm para chorar no banheiro. Com o tempo, os companheiros dos queixo de vidro desistem e a organização os joga ao ostracismo e à demissão.

Todos erramos, todos somos passíveis de crítica, muitas vezes a “paulada” não é bem educada, mas precisamos assimilar, como os lutadores de boxe ou de MMA. Fique tonto, mas não caia e, melhor do que isto, aproveite para crescer. Examine a crítica, filtre o que serve e o que não serve e tire vantagem do que fará você crescer. Pessoas inteligentes prestam atenção em tudo, até nos ignorantes, nos maldosos e nos idiotas que as cercam.

Se a “paulada” for absolutamente injusta e desrespeitosa, você até pode reagir, mas reaja com classe e mire-se em um lutador de MMA: após receber uma bordoada, eles tentam assimilá-la e partir para o contra-ataque de forma elegante e organizada e não de qualquer jeito. Não conseguimos imaginar um lutador de MMA que perca a cabeça após receber um soco ou que saia correndo para chorar no banheiro, seria absolutamente hilário e ridículo.

Filhos muito protegidos pela mamãe e muito mimados pelo papai chegam às empresas completamente inaptos para o trabalho. Trabalhar também é saber apanhar, saber engolir um ou outro sapo, saber cair e levantar rapidamente e não ser extremamente sensível.

Nervos à flor da pele são sintomas de uma frescura que mancha a reputação de profissionais muito bons tecnicamente, provocando situações ridículas e demissões que poderiam ser evitadas, onde todos perdem.

Portanto, treine seu queixo, abandone os melindres, comporte-se como um adulto equilibrado e não como um (ou uma) babaca criado por babás e siga em frente, crescendo com as críticas. Faça como a águia: antes de abater o inimigo, ela sabe baixar a cabeça.

Paulo Ricardo Mubarack