Radicais e tolerantes

13/05/2013

Ser radical significa ser profundo e ter fortes convicções, antes de qualquer outro significado pejorativo ou ofensivo. Ser radical é estar presente na raiz de um assunto e ter crenças claras e colocadas em prática. Nunca conheci bons executivos que não fossem radicais. O radicalismo fundamentado em princípios transparentes e comunicados para todos elimina da empresa quem não concorda com o básico. Quando se fala em diversidade em uma companhia, fala-se em debate e divergência proveitosa nas ações e não nos fundamentos. Nestes precisa haver unanimidade e quem não seguir a cartilha está fora.

Evangélicos, judeus, muçulmanos e protestantes têm minha profunda admiração. Quando comparados com os católicos, estão vários passos à frente na aplicação real da doutrina. Católicos estão voltados para o ritual e parecem seguir uma trajetória decadente. Outras religiões, como as citadas, estão voltadas para suas crenças e para a execução das ações que julgam corretas. Têm menos rituais, menos circo, e oferecem mais respostas e prática. Os resultados são evidentes: avançam em relação à Igreja Católica em número de fieis e arrecadação.

Antes que alguém tenha a tentação de começar um debate religioso, observe que este texto é sobre gestão. Não estou tentando discutir doutrina, apenas estou me apegando aos rígidos princípios que evangélicos, judeus, muçulmanos e protestantes seguem e comparando com os frouxos destinos dos católicos. Estes são muito mais tolerantes em relação aos seus fundamentos do que aqueles. Estão, como mencionei anteriormente, apegados aos rituais e afastam-se dos clientes. A mesmíssima situação acontece nas empresas: algumas adoram seus rituais, a veneração dos acionistas, a futilidade. São fracas em fundamentos e não cultuam linguagem única. Tolerantes com a quebra de cultura, alegam a própria cultura para justificar suas covardias na punição das violações. Outras empresas são muito simples, veneram os resultados ao invés dos proprietários, não ligam para rituais nem para sobrenomes e são extremamente rígidas na aplicação da cultura. Quem não seguir à risca o comportamento desejado está fora.

O mundo, seja na religião ou na empresa, é formado por um sem número de malucos, desajustados e oportunistas. Princípios rígidos, escritos e ensinados dia sim e no outro também, ajudam a filtrar este lixo e afastá-lo das organizações. Quem assim procede, avança. Quem é tolerante e procrastinador, atrasa-se. Só isto. Seu tema de casa após ler este texto é identificar, de forma honesta, onde se insere sua empresa: no grupo dos “radicais” evangélicos, judeus, muçulmanos e protestantes, ou no grupo frouxo e tolerante dos católicos. Você pode escolher, obviamente, o grupo que desejar, mas você também sabe os resultados que obterá. A decisão é sua.

Paulo Ricardo Mubarack