Treinamento de executivos

O presidente de uma empresa cliente me perguntou qual tipo de curso eu recomendaria para o seu desenvolvimento em gestão. Um MBA, talvez. Respondi-lhe que jamais recomendaria para um executivo como ele um MBA brasileiro. Talvez eu recomendasse um MBA no Brasil para um executivo júnior ou para alguém que nunca teve em sua empresa uma consultoria de alto nível em gestão. Mas não recomendaria para qualquer outro perfil de executivo.

Por que? Porque os MBAs brasileiros, mesmo aqueles conhecidos como os melhores, são muito fracos. Porque tratam de muitos assuntos e a todos de maneira muito superficial. Porque, mesmo o número 1 dos MBAs brasileiros, seja qual for a instituição, apresenta temas desatualizados para a realidade das empresas.

Alguns professores muito acadêmicos e outros que trabalham no nível médio de empresas pequenas ou médias não têm muito a ensinar para executivos de porte.

Conheço pessoas dedicadas e comprometidas que fizeram MBAs em gestão tidos como excelentes e não sabem como elaborar um plano de ação, como analisar indicadores de desempenho ou como aplicar métodos estatísticos em suas empresas.

O gerente de logística de um cliente me disse: Mubarack, concluí meu MBA em logística e não chegamos a aprender como analisar um contrato com um operador logístico, assunto extremamente prático e que me interessa muito”!!!

Se analisarmos o conteúdo programático de um MBA no Brasil, no máximo poderíamos classificá-lo como um curso médio de especialização estilo latu sensu, nada mais do que isto.

Tenho certeza de que não estar sendo rigoroso demais. Devemos atentar para o título do curso: Mestre na Administração de Negócios. Mestre, Master!!!! Não é pouca coisa! Ou não devia ser. Mas não passam, repito, de medianos cursos de informações genéricas sobre gestão. Às vezes, melhor do que nada. Mas nunca para desenvolver um executivo de porte nos assuntos mais intrincados da gestão.

O que recomendo, então? Sugiro que executivos de bom nível vão fazer cursos nos Estados Unidos, em Harvard e Stanford, por exemplo. Devem aproveitar a oportunidade como um desafio para aprimorarem seu inglês e participarem de cursos de 20 dias a 2 anos de duração, dependendo do assunto e do nível do executivo. Para presidentes e diretores, recomendo os cursos curtos de 20 a 30 dias. São caros para o nosso padrão, cerca de 25 mil dólares, mas alguém já tentou calcular o preço da ignorância?

Também recomendo que escolham um coach, um treinador individual. Alguém com experiência suficiente para dar-lhes “aulas particulares”, alguém com quem eles possam compartilhar suas angústias e seus desconhecimentos. O coach pode ser outro executivo mais experiente, ou um consultor de alto nível.

O que fazer para treinar executivos de porte médio, gerentes e outras pessoas-chave das empresas? Eles não podem ir a Harvard toda hora? MBAs in company é uma excelente opção. Custear MBAs para 2 ou 3 pessoas fora da empresa não parece ser uma solução inteligente. É como se um time de futebol preparasse fisicamente apenas 2 ou 3 jogadores, enquanto os outros 8 ou 9 ficam olhando!!! Com 2 ou 3 pessoas, a empresa não retém conhecimento. Vejo casos a todo o momento onde o funcionário que fez o MBA vai embora da empresa dois meses após o término do curso. O que ficou para a empresa? Apenas a conta do curso!!! Muitos alegam que MBAs externos possibilitam network. Bobagem. Network uma empresa pode criar de muitas outras formas. E a principal network a empresa deve criar através dos professores. Além do mais, o preço por funcionário treinado cai dramaticamente nos MBAs in company. Outra vantagem é que o MBA in company pode ser adaptado para a realidade de cada empresa. Existem poucas mas boas instituições que podem criar um MBA talhado para uma empresa.

Talvez alguém possa assustar-se em fazer um curso de 20 dias, com aulas da manhã até a noite em Harvard. Ou em promover um MBA in company de 360 h. O político Ciro Gomes começou a fazer um destes cursos em Harvard, mas desistiu. Não agüentou o tranco!!!
Mas, gente, gestão é coisa séria. Seríssima!!! E alguém não consegue aprender os rudimentos de princípios fundamentais de gestão ou aprofundar conhecimentos em negócios em 8 ou 16 h, como fazemos aqui no Brasil. Às vezes, tentamos fazer milagres. Tentamos “formar médicos” em 32 h!!! Precisamos aprender a encarar o treinamento de executivos de médio e grande porte como um processo decisivo e que precisa de horas e horas de estudo.

Precisamos amadurecer em muitas empresas.

Um abraço a todos!!!