Turnaround e morte

24/10/2011

Fazer turnaround (revirar uma empresa, promover mudanças radicais), oxigenar, mudar, choque de gestão, todos estes termos são próprios de empresas que deixam-se “apodrecer”, envelhecer. Muitas vezes, é inevitável fazer, mas “que seja a última vez”. Não podemos depender ou institucionalizar tais mudanças. Empresas desenvolvidas instalam um processo contínuo de melhorias e monitoramento para estarem sempre atualizadas. Difícil, mas necessário e longe de ser impossível. Isto atende pelo nome de GESTÃO.

Turnaround (virada) é um termo associado ao mundo dos negócios e significa mudar radicalmente a vida de uma companhia. Como executivo do Gerdau e como consultor, participei de algumas viradas e todas são muito excitantes. Você chega na empresa, implanta o seu sistema de gestão, a sua cultura e seu sistema de TI. Parece simples, mas não é! Para fazer o turnaround corretamente, você precisa ter um sistema de gestão, uma cultura forte e um excelente sistema de TI. E mais: estes três itens precisam estar harmonizados, precisam ter sinergia e pessoas com cara, postura e atitudes de dono para implantá-los rapidamente. Tudo precisa estar funcionando rapidamente. O mercado não espera por ninguém e não perdoa a lentidão. Quando você compra uma empresa, você precisa fazer um turnaround, você precisa de marcos, de referências, do dia da virada. Na sua própria empresa, você precisa “apenas” desenvolvê-la, para que você cresça, enriqueça e compre os outros que foram incompetentes. O dinheiro periodicamente muda de mãos justamente por que alguns são rápidos e outros são lentos, alguns fazem viradas rapidamente e outros procuram desculpas, alguns são humildes e aprendem e outros são arrogantes e se obsoletam. Em uma reunião de 45 minutos com um presidente “obsoleto” contei quantas vezes ele falou a palavra “eu”: 11 vezes. Uma saraivada de “eus”: eu fiz isto, eu fiz aquilo, eu sou assim, eu trabalho desta forma, eu, eu, eu. Ouvir e aprender, nem pensar. Por isto, Steve Jobs estava correto quando afirmou, em seu famoso discurso para uma turma de formandos de Stanford: “Ninguém jamais escapou dela (da morte). E isso é como deveria ser, porque a morte é muito provavelmente a melhor invenção da Vida. É o agente de mudança da Vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo.

A morte, no mundo dos negócios, é a falência e a demissão. O turnaround, às vezes, é o processo que apressa a virada. Ninguém gosta de falar sobre morte e sobre viradas, mas que eles, às vezes, são indispensáveis para limpar o velho e abrir a janela para que o novo refresque o ambiente, disto não há dúvidas.

O melhor dos mundos: você, como gestor, transformar o turnaround em um processo que esteja continuamente limpando a empresa, a ponto de você nunca precisar de um turnaround! Treinamento, reciclagem, auditorias internas, registro de não conformidades, tratamento de não conformidades, benchmarking e reuniões gerenciais de análise crítica dos resultados são alguns dos métodos que você deve usar para manter-se permanentemente jovem.

Sempre oriento as empresas a desenvolverem e promoverem gente da casa para as posições mais importantes da empresa, mas a condição é está: turnaround permanente.
Toda empresa precisa de um líder que encarne os seus valores, que durma pouco, que ame profundamente a empresa e o que ele faz, que mande torpedos e e-mails no domingo à noite ou nas madrugadas para empurrar toda a galera para frente. Este líder não precisa ser educadíssimo ou usar palavras politicamente corretas. Não precisa puxar o saco de ninguém. Ele precisa apenas ser apaixonado e apaixonar as pessoas pela organização que dirige. Ele não vai exigir dos outros mais do que exige dele próprio. Se este perfil que descrevi assusta você, nunca mais leia meus textos. Sinceramente não quero você como meu leitor.