Vá no limite

18/04/2013

A maioria dos gerentes não se envolve com a organização no limite permitido. Isto significa que ao identificarem falhas, preferem ficar na zona de conforto, no “politicamente correto” a provocar boas discussões e confrontar outras áreas. Por covardia, preferem as conversas de corredor ao debate franco sobre as não conformidades de uma organização. Sempre trabalhei e confrontei no limite e nunca me arrependi. Não há necessidade de termos heróis, mas também não precisamos de medrosos. É possível ir um pouco mais do que a maioria vai.

Muitas falhas têm vida permanente em uma empresa porque os gerentes de nível médio têm medo de apontá-las para a direção. Como consultor, tenho o privilégio de conversar com profissionais de todos os níveis e ouço relatos impressionantes e lúcidos sobre erros que a diretoria não enxerga. Gerentes reportam com detalhes e dados numéricos as não conformidades e o que prejudica seus trabalhos. Na maioria dos casos, eles estão corretos e não falam simplesmente por ma fé ou vontade de criar intrigas na organização. Falam porque veem desperdícios de toda ordem e não conseguem demonstrar para as camadas superiores. Não relatam para seus diretores porque têm medo, simplesmente isto. Minha orientação: vá no limite. Isto significa denunciar os erros, apontar falhas em outras áreas, evidentemente sempre com respeito. Ninguém consegue ser sincero o tempo todo, mas a orientação é “vá no limite”. Sei que você não deve bancar o herói, sei que você não deve colocar seu emprego em risco, sei que você não vai peitar o presidente, mas também sei que a maioria dos gerentes pode ir muito além do que vai normalmente.

Tive vários problemas com meus chefes quando trabalhei no Gerdau. Fui vice-presidente de uma instituição e denunciei ilícitos e como consultor, em um órgão público, agi radicalmente contra um mau profissional. Nos dois últimos casos, fui processado, experiência que nunca havia tido. Orgulho-me de todos estes incômodos, porque fui no meu limite. Aliás, acho que às vezes ultrapassei o meu limite. Entretanto, eu estava do lado certo e meus desafetos do lado errado. E eu tenho hoje moral para orientar meus clientes a irem nos seus limites. Muitos não vão e ficam muito distantes deste limite, o que faz muito mal para suas organizações. Eu, ao ir no limite, consertei coisas, evitei perdas e contribui para quem me pagava. No Brasil, temos uma cultura covarde, que não confronta, que apenas fofoca e que permite que erros prosperem e sobrevivam bem debaixo do nariz dos gestores.

Vá no limite! Avalie qual é este limite dentro da cultura de sua empresa, não seja um “suicida”, mas também não seja conivente com falhas absurdas por covardia.

Paulo Ricardo Mubarack