Vergonha: gastar mais do que fatura

08/09/2011

Gastar mais do que fatura é atitude de fracos. Dirigentes covardes permitem que suas empresas se endividem, perdem o respeito de suas equipes e do próprio espelho. Gerentes financeiros e contábeis comportam-se como idiotas, fingindo que nada está acontecendo, enquanto a empresa afunda lentamente. Infelizmente, este quadro é mais comum do que se possa imaginar. Responda as questões contidas no meu texto e veja se sua empresa faz fila com os fracotes...

Gastar mais do que se ganha é uma vergonha! Serve para empresas, para clubes, para países e para famílias. É um dos melhores medidores da incompetência técnica e da fraqueza de caráter de um grupo. Falando sobre as empresas e deixando o resto de lado, uma organização pode ver suas vendas caindo, seus produtos ou serviços já não tendo mais a aceitação de antes (incompetência técnica), mas decididamente NÃO PODE ver suas despesas de qualquer espécie superando as vendas. Se não tiver a atitude de cortar fortemente seus custos, além de incompetente tecnicamente, terá um atributo pior ainda: a fraqueza de caráter. Quem gasta mais do que arrecada perde o moral junto ao mercado e perante o próprio espelho.

Muitos podem achar estas afirmações muito duras, mas estes nada sabem. Um grupo ou uma empresa que gasta mais do que fatura perde o respeito de todos, principalmente do público interno. Há quantas décadas o Brasil e a maioria dos estados brasileiros gastam mais do que arrecadam? Há quantas décadas nossos clubes de futebol gastam mais do que arrecadam? E quantas empresas gastam mais do que arrecadam? Já encontrei várias e o dano moral é talvez pior do que o dano financeiro. Os níveis inferiores da hierarquia enxergam os dirigentes como gestores de caráter fraco e sem fibra. Para que sua empresa não forme fila com os fracotes, responda com lucidez as perguntas que seguem:

1. Sua empresa tem fluxo de caixa rigorosamente planejado para os próximos 150 dias, dia por dia, no mínimo?
2. Sua empresa tem os centros de custos e as contas contábeis claramente definidos e sob a gestão dos gerentes e chefes das áreas?
3. Na época do planejamento, estes gerentes e chefes são chamados a elaborar cuidadosamente e com detalhes o orçamento de gastos para o próximo ano?
4. Existe, durante o ano, rigoroso acompanhamento das despesas, conta por conta?
5. O nível de endividamento, as despesas financeiras oriundas do endividamento e a liquidez são acompanhados com rigor, mensalmente?
6. O demonstrativo de resultados é analisado nos mínimos detalhes todo o mês?
7. Os dirigentes acompanham o EBTIDA e a margem EBTIDA mensalmente?
8. Quando aparecem despesas não previstas, a empresa revê todo o orçamento e corta alguns gastos em função da despesa extraordinária ou simplesmente gasta e depois se lamenta?
9. Todos os gestores são instruídos em educação financeira? Eles conhecem indicadores financeiros?
10. A empresa entende que orçamento não foi feito para ser explicado (por que os gastos extrapolaram o previsto), mas que orçamento foi feito para ser cumprido?
11. Planos de ação são feitos e acompanhados com rigor, caso haja desvios nos gastos?
12. Se a receita começa a cair ou se simplesmente indicar tendência de queda, reuniões de emergência são feitas para a elaboração do plano B?
13. O gerente financeiro é um cara de atitude e que respira o orçamento 24 h por dia? Ele tem força moral para colocar “o dedo na cara” de todos aqueles que estão gastando “sem fronteiras”?

Tenho certeza que a maioria das empresas não é aprovada nestas doze questões. É muito fácil e rápido fazer um diagnóstico de uma empresa e prever o seu futuro, sem bola de cristal. Se você, que lê este texto e teve a lucidez de responder a estas questões, não obteve aprovação, mexa-se, você brevemente vai ter (ou já tem) graves problemas financeiros.