Você sabe pedir ajuda?

08/04/2013

Quem diria que a solução para você fazer um plano de ação excelente estaria no título da canção HELP dos Beatles. Para você escrever um espetacular 5 W – 2 H, parece que existe mais um H, além do How e do How Much: o H de HELP, isto é, para quem você vai pedir ajuda. Elaborar um bom plano é tarefa difícil e podemos ficar trancados no How (como), no What (o que) e nas outras letrinhas que escancaram o nosso desconhecimento. E a boa notícia é: não é vergonha não saber, vergonha é ser arrogante e não saber perguntar, não sair atrás de quem possa ajudar.

Quando ensinamos às pessoas a elaboração de um plano de ação, frequentemente esquecemos (ou sempre esquecemos) de mencionar alguns pontos muito importantes, considerando-se a dificuldade inerente à tarefa:

1. Quais são as pessoas (pelo menos, uma) que sabem muito mais do que você sobre seu trabalho e com quem você fala com muita frequência? Em termos modernos, quem são os seus mentores? Anote tudo o que eles disserem, observe suas atitudes, ande atrás deles. Pessoas que sabem mais do que nós devem nos encantar...

2. Quais livros você está lendo sobre seu trabalho e sobre todos os jogadores do mercado onde sua empresa atua (fornecedores, clientes, concorrentes etc.)? Nos livros, nas publicações especializadas e no material difuso do Google, você tem a oportunidade de “falar” com Jack Welch, com os executivos da AB InBev, do Gerdau, com Peter Drucker e com dezenas de grandes mestres. Não vai aproveitar?

3. Quais visitas (formais ou informais) você planejou para coletar mais subsídios para fazer um bom plano? Sola de sapato é fundamental. Vá a campo, trabalhe 16 h por dia, viaje, converse, esteja ao lado do seu cliente, olhe sua empresa de cima para baixo, de baixo para cima, de dentro para fora e de fora para dentro.

A elaboração de um plano de ação mostra que, se você não consegue escrevê-lo, você precisa CHAMAR RECURSOS.

Eu assisti recentemente a uma cena cômica e trágica ao mesmo tempo: o presidente sessentão de uma grande empresa, após permanentemente não entregar resultados e nem mostrar razão técnica que o recomende como um executivo digno do cargo que ocupa, falou para um conselheiro quando este corretamente o questionou sobre a ausência de ferramentas básicas de gestão, como indicadores e planos de ação: “você não vai me ensinar a trabalhar”. A arrogância presente nesta cena pobre ilustra uma das causas que leva profissionais a permanecerem na escuridão da ignorância, alegando que planos são burocráticos ou que não ajudam. Se você for arrogante a ponto de não saber pedir ajuda, você provavelmente terá muitas dificuldades para fazer um plano de ação. Você precisa definir o seu “ecossistema” e alimentá-lo diariamente. Você, eu e provavelmente 99,99% dos profissionais do planeta precisamos sempre de ajuda, de muita ajuda para escrevermos planos de ação consistentes com nossas metas. Na realidade, quem diria, a resposta para fazer planos de ação está na canção HELP dos Beatles. Peça ajuda humildemente e você será poderoso. Eu já falei para mais de 50 mil pessoas na minha carreira e cerca de 1 % aproveitaram estas orientações. É o número mundial, acredite. 500 profissionais destacam-se em 50 mil. Como afirmou Carlos Brito, CEO mundial da AB InBev, “nós acreditamos que apenas poucas pessoas fazem uma empresa diferente”. É para este 1%, muito dos quais não conheço e jamais conhecerei, que escrevo. Os outros não me interessam.

Paulo Ricardo Mubarack